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10 setembro, 2021

A Origem da creepypasta dark the proxy

Nome: Erika Dias Fernandes


Origem:  Erika era uma simples garota do ensino médio ela era a mais inteligente de toda a classe porém havia um grupo de meninas e meninos que faziam bullying com ela até que um certos dia Erika estava andando pelo colégio até que viu o grupos de valentões ela saiu correndo porém um deles pegaram ela porém quando ela viu quem era viu que era seu irmão mais velho ela ficou em choque e perguntou tremendo "o-oque você faz aqui??"seu irmão falou "você vai ver" com iam voz maliciosa ele pegou ela e levou para um porão que só ele sabia ele jogou a jovem no chão do porão e pediu para ela tirar suas roupas ela não aceitou dizendo "O QUE VOCÊ TÁ LOUCO A GENTE É IRMÃO!!!" ele falou "você tira essa merda por bem ou por mal" ela recusou balançando a cabeça ele logo atacou com uma faca fazendo vários cortes nela, ela gritava de dor  ele viu uma corda e pediu para ela se levantar e não gritar se não seria pior  Assim a jovem obedeceu o garoto logo pegou a corda que estava dentro de algumas caixas ele a amarrou muito forte que ficou vermelho ela tentou gritar porém não funcionou seu irmão tirou sua roupa e come beija-la e assim a 3str#p0u depois disso já tava tarde o menino depois de ter feito o que sempre sonhou ele tirou todas as cordas que prendia a pobre garota ele colou suas roupas e Erika falou "mais e minhas roupas você rasgou tudo" ele riu e falou você vai ficar aí para aprender sua lição  Ela ficou indignada mais ela não podia fazer nada já que ele era mais forte ele saiu do porão e deixou ela lá sozinha no escuro toda pelada até que ela viu que o seu "irmão não trancou direito a porta do porão ela subiu as escadas mesmo com a perna doloridas ela conseguiu ela fugiu a até sua casa sorte a dela já que não tinha ninguém na rua ela chegou em casa subiu em uma árvore que tinha perto de sua casa e abriu a janela e pulou para deu quarto ela não fez barulho porém ouviu barulhos de choro ela pegou uma roupa rápido e viu que o choro vinha do quarto de sua irmã mais nova alice ela 
Foi correndo para lá e viu Alice jogada no chão sem roupa e tbm cheio de feridas ela viu em seu pescoço um grande arranhão Ela correu até Alice e pegou ela levando ela para seu quarto e cuidou de suas feridas depois que Alice recuperou o fôlego e se sentiu melhor contou tudo deu irmão Erik abusou dela e a espancou Alice contando a história começou a chorar Erika sentiu uma grande raiva e deu para ver por causa de sua face até que ela ouviu uma pessoa fechando a porta da sala sabendo que era o pai bêbado e dr0g@d# pediu para Alice se esconder em baixo de sua cama assim  como Erika disse Alice fez se escondendo-se em baixou da cama ela desceu a escada e falou "bêbado de novo pai?" Ele correu até ela ficando em cima dela e acertando ela com uma garrafa de vidro ela gritava de dor  porém ninguém escutava ele tampou a boca dela e bateu muito forte em seu nariz que começou a sangrar depois que ele deixou ela toda acabada com várias ferida e arranhão em seu corpo ele falou "agora e vez da Alice"Erika viu que tinha uma faca em cima do balcão de cozinhar e foi se rastejando para pegar a faca seu pai não viu quando ela pegou a faca sentiu que era a hora de acabar com aquele velho ela pegou a faca levantou-se e atacou o homem mesmo com feridas graves ela atacou o homem em seu rosto todos depois foi descendo até sua parte íntima ela CORTOU sua parte íntima Seu irmão chegou e viu aquela cena de sua irmã matando seu pai pegou ela e uma corda e amarrou ela assim ligando para o hospital e polícia porém quando a polícia chegou seu irmão foi correndo até os policiais e falou que sua irmã tava presa com uma corda porém quando os policiais chegaram não tava ninguém lá só o seu pai e uma corda amarrando seu pai os policiais começaram a investigar porém não encontram nenhuma rastros porém mal sabia eles que a querida Erika estava em uma floresta Erika foi o mais longe possível até que ela lembrou de sua irmã que não havia pegado depois que ela lembrou ela caiu no chão e começou a chorar e com suas feridas doendo ela dormiu  até que ela acordou em um "hospital" erika acordou assustada e viu uma moça dizendo para ela se acalma a moça disse seu nome "calma mocinha meu nome é Débora,qual e o seu?" Disse Débora Ela disse mesmo com a voz tremula "m-meu nome e Erika" disse a jovem Débora olha e fala "esse nome e tão perfeito era o nome da minha filha antes dela morrer" Débora ia sair até que Erika pergunta "onde estou?"(com a voz tremula) Débora fala "você está em um orfanato" a jovem pensa "humm mais pessoas para eu esfaquear" Erika faz um sorriso  malicioso e a enfermeira do orfanato fala "aconteceu algo senhorita Erika?" Erika sai de seus pensamentos estranho e fala "não só quero saber se já posso sair dessa cama" A enfermeira diz "ok mais não faça muito esforço"depois  a enfermeira saiu, Erika  abriu a cortinas da enfermaria e viu que tava de noite porém viu que tinha um ser todo branco sem face e usando um terno todo preto e com uns negócio atrás todo preto até que eu me virei pensando que era só ilusão até que vi uma roupa preta com um decote e tbm viu uma máscara led azul ela sabia que era para vestir Depois que vestiu Erika vai até a cozinha que estava uma jovem de 15 anos do nada veio um pensamento em matar a antes de matar erika havia Pegado um lenço Erika atacou a menina e amarrou a boca  e levou ela até uma floresta onde estava o ser ela jogou a menina no chão e começou a esfaquear ela 100 vezes e retirou seus olhos e tbm bateu sua cabeça em uma árvore e retirou seu coração depois disso pegou todas as adolescentes e as matou menos as crianças depois matou a enfermeira Débora) Depois de fazer tudo que ela tinha vontade de  fazer tomou banho e foi até uma casa que assim invadiu a casa e matou todos de lá  ela viu a criatura branca e magra do nada ela havia apagado e caiu duro no chão acordou e viu uma pequena garota de lindos olhos vermelhos e com o cabelo branco a menina todo animada diz prazer meu nome é blood lily Erika ia dizer o seu nome porém blood lily interrupeu dizendo " o seu nome é dark the Proxy né?"a jovem disse "s-sim " coloca a roupa que o tio slenderman  separou para você dark a linda menina de cabelos brancos logo se retirou dark se levanta e coloca a roupa que o tal "slenderman" mandou Depois que colocou a roupa e pegou a máscara abriu a porta que estava fechada sua mão estava tremendo porém conseguiu abrir  a porta  depois que abriu  viu um ser é a menina de cabelos brancos falou "alí ela" o tal "ser" pediu para ela sentar no sofá assim ela obedeceu descendo as escadas se sentou no sofá e o slenderman falou para chamar ele de operador dark logo falou "sim senhor slenderman QUER DIZER OPERADOR"diz com a voz tremula blood lily rislenderman estende a mão para dark e dark pega na mão dele e slenderman a leva com ele e depois desse dia sua vida mudou completamente e começou a cumprir várias missões que o operador mandava e assim matando várias pessoas em busca de vingança contra as pessoas que fizeram mal a ela e várias crianças.

19 março, 2017

Maldita lembrança

Eis a maldita

Aquela que admiramos

Que nos traz a insonia e a lagrima

Que nos traz a dor no peito

E o desespero de querer voltar no tempo

Que traz a ansiedade e pensamentos sombrios

Eis em minha mente a lembrança

Dona do meu passado

E fruto do meu futuro

Eis a maldita lembrança.

-Usuário15.75.28.62.2.42

25 julho, 2016

HORROR NA ESCOLA

por Wagner De La Cruz 


- Se apresse, menino! Vai se atrasar! [gritava Íris para o filho]. 

Já passava do meio-dia e Bruno ainda não estava pronto para almoçar e ir para a escola. Na verdade, ainda estava só de cuecas e metido embaixo das cobertas quando sua mãe chamou. 

Na noite anterior o Telecine Cult transmitiu "O Exorcista", clássico que ele apenas ouviu falar, mas nunca havia assistido. Sempre lhe disseram que era o filme mais assustador de todos os tempos, o que despertou sua curiosidade quando viu, no final da tarde passada, que estaria em exibição. 

O horário marcado era 02:25, Bruno precisou deixar o despertador ligado para não perder a hora. Assim, com a TV do quarto em volume baixo, para não atrapalhar o sono dos pais e receber um bronca, ele assistiu a obra-prima de William Friedkin sem medo, do auge dos seus nove anos. Bom, não exatamente sem medo. Ao término do filme, já passada as cinco da manhã, as cenas da possessão da garota Reagan não saiam de sua mente. Era fechar os olhos que as imagens do vômito verde, o giro da cabeça, a masturbação com o crucifixo (que ele sequer entendeu bem) ou a levitação teimavam em surgir. Claro que ninguém saberia disto, já que seria humilhante para um homem admitir que ficou com medo de um filmezinho bobo, assim pensava. 

O sono só chegou muito tempo depois do Sol raiar e iluminar parcialmente o quarto do garoto. Ainda que tivesse medo de que, a qualquer instante, sua cama fosse começar a balançar, sentiu-se mais seguro sendo dia e os pais estarem acordados. Quando escutou o pai ligar o chuveiro caiu no sono quase instantâneamente. Não teve pesadelos. Na verdade, nem teve certeza se dormiu, tinha a impressão de num instante fechar os olhos e no outro ser despertado pela mãe. 

Preguiçosamente, vestiu a primeira camiseta que sua mão tocou e dirigiu-se para o banheiro, semi-acordado. Lavou o rosto, escovou os dentes, urinou abundantemente (não o fazia há mais de dez horas) e tomou um banho rápido, quase frio, mais para despertar do que para higienizar-se. Após fechar o chuveiro e apertar a toalha contra os olhos ao secar-se, já se sentia mais disposto.  

O cheiro da comida da mãe era delicioso. O aroma do feijão bem temperado atiçou o estômago de Bruno logo que ele saiu do quarto, já vestido para o colégio. Tinha fome. E agradecia a Deus pelo cardápio não trazer sopa de ervilhas.  

***** 

Bruno estava no segundo ano. Estudava na Escola Municipal de Ensino Fundamental Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, em Novo Hamburgo, no bairro Redentora. Era um dia bonito de outubro, em plena primavera, com o Sol brilhando e uma leve brisa impedindo que o calor insuportável se instalasse. 

Exatamente para aproveitar a tarde, a professora resolvera antecipar a Educação Física, que estava programada apenas para o próximo dia. 

- Não é dia de ficarmos trancados na sala! [Dizia animadamente Fernanda, a mestra, que na verdade era uma estagiária e não tinha idade nem para ser mãe dos seus alunos]. 

Bruno gostava de futebol, mas, após dormir pouco e ter comido rapidamente no almoço, não se sentia muito animado para jogar. Mesmo assim, atendendo a pedidos dos seus colegas e, principalmente, porque Marianne, a menina que ele gostava, estava olhando, decidiu jogar um pouco. Bem pouco, na verdade, já que, cinco minutos após entrar na quadra, uma bola afortunadamente acertou seu nariz, após um colega do time adversário chutá-la forte e sem direção. Bruno caiu de costas, enquanto enxergava raios de todas as cores e formas graças a bolada. Fernanda chegou a correr para acudí-lo, mas as risadas dos colegas, juntamente com a vergonha de ter feito papel de bobo à frente da mulher da sua vida trataram de reanimá-lo imediatamente. 

***** 

Nuvens começavam a se formar, escondendo o Sol. A brisa já começava a tomar forma de vento e, por precaução, Fernanda decidiu que era melhor retornarem à classe. 

Mais cansado ainda, após tentar exibir-se para Marianne e ser nocauteado, passando o resto da aula emburrado, Bruno sentou-se pesadamente em seu lugar, no fundo, próximo à janela, e se pôs a conversar com Jean, seu colega e melhor amigo. 

- E aí? Viu o Exorcista ontem? [perguntava Bruno] 

- Pior que não. Meus pais não me deixaram ver e… 

- Ah! Não mente, cagão! 

- Sério, cara! Eu ia olhar, sim! 

- Aham, sei… Tava é com medinho, seu viado! Eu olhei todo e… 

- Meninos… [interrompia a professora] Abram seus livros, agora é hora do conto. 

- Viadinho… [disse Bruno para Jean, quase inaudível, com um sorriso de canto de boca] 

A hora do conto, para Bruno, era tédio puro. Nunca gostou muito de ler, nem mesmo quadrinhos. Se ler já era chato, dizia, imagina alguém ler para você! E a história de hoje era João e Maria, um conto que ele já ouvira umas quinhentas vezes e que achava muito infantil. Mesmo assim, resolveu acompanhar a professora Fernanda no seu Livro dos Contos, um calhamaço com cinquenta histórias que os alunos receberam no início do ano letivo. 

A chuva começava a cair, de imediato Bruno bocejou, mas seguiu acompanhando a fábula. Quando João e Maria encontraram a casa de doces na floresta, Bruno embaralhou a vista e quase não distinguiu as letras do texto. Quando João ofereceu um graveto para a Bruxa tocar, no lugar de seu dedinho, Bruno cochilou sobre o livro. 

Acordou de sobressalto, com o barulho do granizo batendo no vidro da janela. De olhos arregalados, percebeu que estava sozinho na sala. Percebeu que estava com muito frio. Percebeu que já anoitecera… 

***** 

Quanto saiu do banho e vestiu-se para ir à escola, usava apenas uma calça jeans e uma camiseta gola polo, e saíra reclamando do calor. 

- Leva uma blusa, pois esfria de tarde! [disse-lhe sua mãe]. 

Bruno não lhe deu ouvidos, como era de praxe. Desta vez, porém, arrependia-se. O termômetro da sala, que a tarde registrava 25°, agora marcava 5°. Um frio atípico para a estação. 

Com os braços cruzados sobre o abdômem, caminhou até a porta, rezando para que não estivesse trancada. Um arrepio correu pelo pescoço quando tocou a maçaneta, sentindo todos os pêlos do corpo se eriçarem, mas, felizmente, estava destrancada. 

O frio fora da sala era estranhamente menos intenso. Porém, o corredor estava às escuras, bem como toda a escola. Pelo que o garoto lembrava, o interruptor se localizava em uma pilastra próxima à escada, há uns cinquenta passos de onde ele estava, segundo suas contas. Não queria passar a noite alí, mas, principalmente, não queria permanecer no escuro.  

Aguardou seus olhos acostumarem com a penumbra e, guiando-se pela parede, saiu para o corredor. Mentalmente ia contando os passos, quase não respirando de tensão, ouvindo o barulho do granizo no telhado.  

Vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove…. O frio retornava com força. Agora ele podia ver nuvens de ar a cada respirada. Quase pensou em voltar correndo para a sala de aula, mas agora estava mais perto do interruptor, então decidiu acelerar o passo, quase correr. 

Quarenta, quarenta e um, quaren… seus pés pisaram em algo molhado e viscoso. Mal teve tempo de registrar isto, pois vislumbrou a pilastra quase ao alcance das mãos. Deixando o apoio da parede, Bruno correu onde se lembrava que ficava a chave de energia. Seus dedos tocaram imediatamente as teclas e fez-se a  luz!  

Com o corredor perfeitamente iluminado, Bruno teve um hiato de cinco segundos de uma tranquilidade razoável, até registrar uma poça de sangue a menos de dez metros de onde ele estava. Seus olhos se voltaram primeiro para as pegadas rubras que seus tênis deixaram pelo caminho, e em seguida para o teto, sobre a poça, de onde pendia o corpo do senhor Mauro, o zelador da escola. Estava nu, pendurado pelos pés através de uma corda fixada em um suporte de uma das luminárias. Uma perfuração no centro do peito e o rosto completamente vermelho, com um semblante de sofrimento, davam a ideia de que sangrara até morrer. 

As pernas de Bruno fraquejaram, seu estômago se contorceu, querendo expulsar o almoço. Inclinou-se sob o parapeito e, segurando-se nas barras, vomitou. O som ecoava na escola vazia. Pálido, ainda tremendo, contornou a poça e correu para o andar de baixo. 

***** 

O térreo estava iluminado somente pelas luzes do segundo andar. O hall de entrada da escola tinha uma porta dupla de um vidro transparente, dando direto para o pátio principal. Bruno correu direto para lá, e forçou uma das folhas. Sem sucesso. A porta, além de trancada a chave, possuia uma corrente unindo os puxadores, do lado de fora, com aros grossos, e um cadeado. 

Desesperado, jogou-se contra o vidro, que devolveu o mesmo impacto, atirando-lhe ao chão. Um trovão ribombou no pátio, sobre uma das traves de madeira da quadra de futebol. O fogo imediatamente começou a consumir as goleiras. Com dificuldade, Bruno levantou-se, apoiando o corpo nos pesados vasos de planta que ali haviam. Devido ao breu da noite, não havia percebido algo nas traves que, agora, devido ao fogo, podia ver melhor: Professora Fernanda, sem roupas, pendurada pelo pescoço em uma corda no meio do travessão e com as mãos amarradas às costas tremulava ao ritmo do vento.  

Bruno ficou em estado de choque. Estático, permaneceu olhando fixamente para o pátio, com os olhos arregalados e a boca aberta. Só saiu do transe quando o fogo consumiu a corda e Fernanda, com os cabelos em chamas, caiu no chão de concreto. Ele precisava sair dalí, tinha de achar uma saída, não queria ficar preso naquela escola.  

Sem ação, lembrou-se dos banheiros, que ficavam bem próximos da entrada. Cada compartimento possuia uma janelinha. Ele teria de tentar. Disparou na direção dos sanitários mesmo quase sem visibilidade, com a adrenalina em alta. Nem percebia que chorava até as lágrimas salgadas chegarem à sua boca. 

***** 

Meio trôpego, Bruno deu com o nariz na porta do banheiro masculino. Testara a maçaneta insistentemente, quase a arrancando da fechadura, mas nada acontecia. Frustrado, escostou a testa na madeira e começou a chorar copiosamente, deixando-se deslizar até o chão enquanto soluçava. 

Foi em meio às lágrimas que, olhando para a escada que conduzia ao segundo andar, vagamente iluminada, um movimento chamou-lhe a atenção: envolto em algo que parecia uma toga com capuz, um Ser praticamente deslizava rumo ao andar de baixo através dos degraus. Lentamente, o Ser virou a cabeça na direção de Bruno. Um par de olhos estrábicos, de um violeta vivo, fitaram o garoto. Da fenda negra abaixo do nariz, bem evidente devido a pele pálida, um largo sorriso com dentes disformes e amarelados surgiu. A coisa apontou um dedo para Bruno: 

- Você… [a voz era quase um ronronado de um gato] Quero você… 

A bexiga do menino soltou-se nesta hora. Nem percebeu o mijo quente escorrer por entre as pernas. A sua mente de garoto não havia lhe sugerido tentar o banheiro feminino. Era algo errado, proibido. Mas Bruno não mais importava-se com bons modos e, antes da criatura entrar na curva da escadaria, testou a porta do sanitário das meninas. Quase gargalhou ao achá-la destrancada.  

Encostou-a sabendo ser inútil, já que não tinha a chave, mas não se preocupava com isto. Precisava ser rápido, podia sentir o farfalhar da toga nos degraus da escada há menos de trinta metros. Aliviou-se ao achar a tomada e ter o cômodo inteiramente iluminado. 

O banheiro feminino tinha três compartimentos, e, instintivamente, dirigiu-se ao central. Ao abrir a porta sentiu uma nova onda de horror: Jean estava sentado, com as calças abaixadas. O colega de Bruno fôra decapitado, e só foi reconhecido pelo amigo graças a camiseta da banda Oasis, que usava frequentemente, agora ensopada de sangue. Tornando a cena ainda mais bizarra, Jean segurava em suas mãos, na frente da virilha, a cabeça de Marianne, que mantinha a boca escancarada em um eterno O e os olhos abertos sem vida e sem íris. 

Pela primeira vez na noite Bruno gritou, e cambaleou de costas até encostar na parede, afastando-se daquele cenário aterrador. O ar parecia impregnado com o cheiro pesado de sangue. Um gosto de bile subiu à garganta do rapaz quando escutou passos vindo do exterior do banheiro. 

Impelido pelo medo, entrou no compartimento central, e puxou o amigo morto para o lado, a fim de subir no vaso. Ao deslocar Jean, o defunto derrubou a cabeça de Marianne. O barulho foi semelhante ao que se ouve ao atirar um peixe sobre uma tábua de madeira. A janela abriu sem dificuldade no exato instante em que a porta rangia ao ser aberta lentamente. Bruno subiu na caixa descarga, escorregadia devido ao sangue, e içou-se pela pequena abertura acima. Em três segundos estava do lado de fora, estatelado na relva, de costas para cima. Virou-se a tempo de ver o rosto pálido do Ser na janelinha, ainda a lhe sorrir. 

A chuva era fria, as roupas estavam empapadas, Bruno tremia e batia queixo. Levantou-se e caminhou em direção ao portão da escola. Um cheiro de carne de porco assada chegou ao seu nariz ao passar próximo do corpo fumegante da professora. Ela havia caído de lado, e não era mais do que um esqueleto envolto em pele negra ressecada, mas com os olhos estranhamente vivos a fitar o garoto. 

O granizo castigava-lhe o corpo franzino. Estava exausto, machucado pela queda, chocado com tudo que havia passado, mas resistia à entrega bravamente. Precisava sair daquele inferno e buscar ajuda. Estava a menos de dez metros do portão quando uma pedra de gelo do tamanho de uma bola de pingue-pongue o acertou no supercílio, o derrubando de joelhos. 

Com a visão turva, levou uma das mãos ao machucado e se assustou quando as pontas dos dedos se mancharam de sangue. Do SEU sangue. Apoiando um braço no solo, levantou-se novamente e deu dois passos até que uma nova pedra de gelo, desta vez quase do tamanho do um punho fechado, atingiu-o na face, jogando-o no chão lamacento. Um gosto ferroso de sangue inundou sua boca enquanto a chuva de granizo ganhava força, judiando-o por inteiro. 

Mesmo no frio sentia o corpo arder nos locais em que era atingido. Num ato de desespero levou as mãos ao rosto para se proteger. Parecia que todo o granizo do mundo havia o escolhido para alvo. Ao virar-se de barriga para baixo instintivamente, a fim de proteger os órgãos vitais, uma última pedra atingiu-o na nuca. Bruno perdeu os sentidos em meio a tempestade, enquanto uma poça de sangue aquoso formava-se ao redor de seu corpo. 

***** 

Um barulho contínuo trouxe-o de volta. Estava deitado em uma cama branca, num quarto branco, com uma pessoa de branco à sua frente. Tinha dificuldade para abrir os olhos, que estavam bem inchados, mas, ao vislumbrar a mãe sentada na poltrona a seu lado, quase fez o globo pular da cavidade.  

A mãe foi até ele e o abraçou levemente enquanto chorava silenciosamente, evitando forçá-lo muito. 

- Eu… [Dizia Bruno, quase sussurrando] eu tô vivo? Mãe? 

- Sim, filho! Sim! [Íris começava a chorar mais alto] Deus é bom! 

- Mas… mas como me acharam? 

A mãe olhou para o doutor, que lhe devolveu o olhar, meio embascado, piscando através dos óculos de lentes esmaecidas. 

- A diretora ligou, filho. Você bateu com a cabeça na quadra jogando bola, lembra? 

- Eu? Quando? 

- Há dois dias, Bruno. [Respondeu o médico, por baixo da máscara cirúrgica] Desde então você apenas dormiu, até agora. 

A cabeça de Bruno voltou a doer, sentiu o mundo girando. Sua mãe segurava seu pulso.  

- Tudo bem. [continuou o doutor] É uma reação natural de quem sofre algum trauma no crânio. É melhor deixá-lo descansar mais um pouco, dona Íris. 

A mãe acomodou-o no travesseiro. Um sorriso brotou no rosto de Bruno. Agora percebia que estava nu, provavelmente devia ter urinado nas roupas e na cama e foi preciso trocá-lo, mas era uma humilhação que poderia suportar. 

- O que foi, filho? Por que o riso? 

- Nada não mãe, um negócio que sonhei, só isso. 

- Deve ter sido um sonho e tanto. [Disse o médico] Você dormiu por quase dois dias inteiros. Dormindo você se recuperaria mais rápido. 

Bruno viu o médico introduzir uma seringa no frasco de soro que estava conectado ao seu corpo.  

- O que é isto, doutor?! [perguntou o rapaz] 

- Ah. É um negocinho para você dormir mais um pouco. Ainda não está bem, bem. Mais um dia de recuperação e já vai poder voltar até a namorar. [o doutor piscou para Íris, e um sorriso de alívio surgiu no rosto da mãe, em meio às lágrimas incessantes] 

Íris abraçou o filho uma vez mais. Sua testa já não estava febril, o que aliviou ainda mais a mulher.  

- Eu vou ao banheiro lavar os olhos filho. Já, já eu volto. 

Após um beijo no rosto, a mãe de Bruno deixou-o só com o médico. O menino já sentia a sonolência lhe dominar enquanto seus olhos percorriam o quarto de hospital. Um instante mais tarde, seu olhar parou em seus tênis, colocados sobre a roupa dobrada que usava quando foi a escola na última vez, em cima de uma cadeira. Na sola, Bruno notou manchas vermelhas, como se ele houvesse pisoteado em beterrabas cozidas. 

Aflito, mas sem forças, olhou para o doutor, parado aos pés da sua cama, com uma segunda ampola nas mâos. O médico baixou a máscara e sorriu, exibindo seus dentes amarelados e podres, e aproximou-se de Bruno. Através dos óculos, o garoto viu com incredulidade e terror os olhos vesgos cor de violeta. Então falou, abaixando o rosto próximo o bastante para que seu paciente sentisse o hálito putrefato: 

- Bons sonhos, menino. Descanse em paz. 

Depois disto, o mundo de Bruno foi tomado pelas trevas. 


FIM